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Estudante faz bonecos de pano negros e reinventa personagens clássicos como Chapolin e A Pequena Sereia

05/10/2017


Quando era criança, a estudante Liliane Regini Lemos de Oliveira Moraes, 38 anos, tinha um sonho: ser Paquita. Mas, segundo ela, sua mãe tratava sempre de "chamá-la" para a realidade, lembrando que todas as assistentes de palco da apresentadora Xuxa na televisão eram loiras e brancas, o que era um balde de água fria no sonho de uma criança negra como Liliane. Os anos se passaram e, com maior entendimento sobre representatividade negra, Liliane decidiu dar vazão não só àquele desejo de infância mas ao de tantas outras meninas e meninos que, como ela, gostariam de se ver representados em personagens que povoam a imaginação infantil. E, assim, passou a confeccionar bonecas de pano negras das principais histórias dos quadrinhos, do cinema e da televisão. Da adorada Paquita à super-heróis, como Batman, ou toda a turma do Chaves. 

 

— Na minha cabeça, o mundo era igual. Não tinha bonecas negras na minha época, mas eu não tinha essa percepção, eu brincava com as que eu tinha. Não havia com o que comparar, então, nunca questionei. Hoje eu percebo como fez e faz falta para a autoestima da gente — conta Liliane, moradora do bairro Jardim Itu-Sabará, na Zona Norte de Porto Alegre, que, há dois anos, faz das bonecas o seu ganha-pão. 

 

O projeto leva o nome de Maraia's Bonecas de Pano, em homenagem a uma das sobrinhas de Liliane, Maraia, 14 anos, que passou por um episódio de racismo na escola quando era pequena, o que motivou a tia a dar início à confecção. Na hora de botar a mão na massa, fez uso dos ensinamentos que teve em um curso de corte e costura realizado aos 13 anos, uma imposição da mãe para que ela "não ficasse na rua sem uma ocupação". Mesmo tanto tempo depois, nunca esqueceu dos dotes artesanais.  

 

Despretensiosamente, fez a primeira boneca para a menina — a Mulher Maravilha, até hoje a mais pedida —, mas não demorou para que as amigas também quisessem e para que o hobby se transformasse em um negócio. Hoje, acredita já ter feito mais de mil. 

 

Produção acelerada

 

Liliane confecciona cerca de 60 brinquedos por mês, em um ateliê improvisado na sala de casa. Quando não está na Unisinos, onde cursa o sétimo semestre de Psicologia, está produzindo personagens como Pinóquio, Ariel, a Pequena Sereia, e Boneco de Lata, do Mágico de Oz, entre tantos outros. Cada boneca consome, em média, duas horas e meia de produção. 

 

Sempre que pode, ela leva os brinquedos em uma escola do bairro para as crianças verem e brincarem:

 

— Tem que ver como elas olham pro Batman negro... Elas abraçam, beijam, falam que é igual ao tio, ao irmão... É o meu boneco favorito da minha cor. Uma criança negra que se vê representada em seu brinquedo se sente pertencente à sociedade em que vive. Ao presentearmos uma criança com bonecas negras, estamos falando não só de carinho e afeto, mas também ensinando sobre diversidade, respeito e ampla aceitação. 

 

Reconhecimento 

 

Por conta da demanda crescente, Liliane conta, desde junho, a com a ajuda da amiga Anelise Marcelino, 36 anos, para dar conta das encomendas, que já ultrapassarm as fronteiras. Atualmente, há 65 bonecas na lista de espera para serem confeccionadas.  

 

— As redes sociais levam o meu trabalho para todo lugar. As pessoas compartilham, e os pedidos vão chegando. Tenho um pedido de Portugal e uma encomenda de 20 bonecas para Brasília — conta, orgulhosa, Liliane, que completa: 

 

— Não há melhor forma de combater o racismo e a discriminação racial senão pela disseminação do amor e do afeto, do sentimento de igualdade desde os primeiros anos de vida. As bonecas negras atuam positivamente na capacidade de compreensão da criança, na medida que lhe mostram que a figura humana pode ser linda, digna de carinho e afeição independentemente da cor de sua pele ou etnia. 

 

Além da satisfação pessoal das suas clientes, o trabalho de Liliane tem rendido outros frutos. Ela está concorrendo ao Troféu Luiza Helena Bairros, da Ufrgs, que, anualmente, premia personalidades e entidades que se destacam na promoção da igualdade racial e fortalecimento das políticas de ações afirmativas. 

 

— Fiquei muito feliz. Demorou a cair a ficha, mas é uma alegria enorme. O brinquedo tem função fundamental na formação do indivíduo e de sua identidade. A identificação positiva com o brinquedo permite a construção de uma boa autoestima na criança a partir de uma relação saudável com a autoimagem. Poder contribuir para isso com o meu trabalho e ter esse reconhecimento é muito gratificante. 

 

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2017/10/estudante-faz-bonecos-de-pano-negros-e-reinventa-personagens-classicos-como-chapolin-e-a-pequena-sereia-cj8dj6bmh007v01lto6kbma07.html

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